
26 de Setembro de 2011
Carta do Presidente
Persistência e Paciência
Caros Jatrophacultores,
No limiar de minha despedida como Presidente
desta Associação, reitero através desta mensagem minha
convicção pessoal sobre Persistência e Paciência como fatores fundamentais para
o sucesso da Jatropha no Brasil.
Persistir é preciso!
As notícias sobre experiências negativas com
Jatropha, veiculadas nestas últimas semanas sobre projetos de épocas passadas,
não deveriam provocar desânimo em nossos corações, nem abater o nosso ânimo de
continuar no nosso processo de domesticação da Jatropha curcas L.
Semelhantemente a última reportagem da Globo Rural sobre o Pinhão Manso, as notícias negativas
veiculadas correspondem a situações de épocas passadas, quando do início da cadeia
de conhecimento do Pinhão Manso, demonstrando o desconhecimento da mídia e de alguns
recalcitrantes pesquisadores anacrônicos sobre o real estado da arte na
domesticação do Pinhão Manso.
Seis anos atrás, pioneiros empreendedores
apostaram no Pinhão Manso, sem qualquer respaldo de um programa sério e
consistente de pesquisa, desenvolvimento e inovação, inexistente na época. A
histeria do Pinhão Manso na internet exponenciou o problema, induzindo uma
corrida aventureira ao petróleo verde.




Hoje, apesar do alto preço do pioneirismo e
da propaganda negativa da ignorância e do sensacionalismo barato, estes
exemplos de insucesso somente aumentam nossa convicção que agora estamos no
caminho certo, persistindo no PD&I Jatropha, lançado no I CBPPM em novembro
de 2009, fruto de nossa Parceria Público Privada (PPP)
com a Embrapa Agroenergia.
Naquela oportunidade, com a participação
pessoal do então Ministro Stephanes, e o apoio irrestrito da Secretaria de Produção
e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, demos o
primeiro passo da longa caminhada para a domesticação do Pinhão Manso e sua
inserção como alternativa de matéria prima plenamente viável para a produção de
biocombustivel.
Apostamos naquele momento no segmento da aviação
comercial, em especial na produção de bioquerosene, focando nossos esforços
nestes últimos dois anos na estruturação de uma Plataforma Brasileira de
Bioquerosene, com o Pinhão Manso como uma de suas matérias-primas, aprovada
pela IATA e não concorrente na cadeia alimentar. O foco da mídia global no bioquerosene,
e o inicio de vôos comerciais com mistura do bioquerosene, atestam o acerto de
nossa visão neste mercado.
Decorridos 2 anos, estaremos realizando, em
conjunto com a Embrapa Agroenergia, o II Congresso Brasileiro de Pesquisa em Pinhão
Manso nos dias 29-30 de novembro de 2011 em Brasília, DF, novamente com o
patrocínio e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e
apoio especial da Secretaria da Produção e Agroenergia, para tornar público o
trabalho de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Plataforma Jatropha. Seleção
massal na busca de acessos mais produtivos, mecanização, técnicas de
propagação, melhoramento genético, etc. serão amplamente discutidos com
parceiros internacionais, consolidando o conhecimento internacional sobre a Jatropha curcas L., com a visão de um
centro de excelência de pesquisa das Américas. Temos certeza do futuro
promissor do Pinhão Manso na cadeia de valor de biocombustíveis, em especial no
segmento do bioquerosene para aviação comercial. A certificação pela ASTM em 1
de julho de 2011 do bioquerosene abre um gigantesco mercado global de um novo commodity, estimado em 125 bilhões de litros no ano de
2020, para a agricultura e indústria brasileira. Portanto, persistir é preciso.

Fonte: IATA
Ter paciência!
A visão do Pinhão Manso deve ser de longo
prazo, ajustada a realidade do processo de domesticação de uma cultura perene.
Portanto é preciso ter paciência, conter nosso ímpeto empresarial, e integrar
os resultados da pesquisa aos trabalhos iniciais de campo, em uma fase de
preparação para a escalabilidade futura. Nos próximos
2 anos, estaremos promovendo campos experimentais para aplicação dos
conhecimentos, segundo critérios de sustentabilidade e praticas agroecologicamente corretas, visando a
estruturação de um sistema sustentável de produção da Jatropha curcas L. No dia 1 de dezembro de 2011, em seguida ao II
CBPPM, estaremos promovendo um Workshop de Sustentabilidade para planejamento
destas ações no âmbito Pan Americano. Portanto, ter paciência é preciso.
Ao entregar o cargo amanhã na Assembléia Geral
Extraordinária que elegerá uma nova diretoria, gostaria de aproveitar a
oportunidade para agradecer aos parceiros desta diretoria que se despede, pela
cooperação e dedicação a nossa causa Jatropha. Quero também expressar meus agradecimentos
pessoais ao Secretário da Produção e Agroenergia, Dr. Manoel Bertone e sua equipe,
a equipe da Embrapa Agroenergia, Frederico, Cabral, Esdras, e Bruno, pela
parceria e apoio e aos conselhos do Prof. Jose Accarini, que possibilitaram a
realização do nosso sonho de domesticação do Pinhão Manso no Brasil.
A luta continua, e eu estarei pessoalmente
persistindo na consecução dos nossos objetivos.
Muito obrigados a todos que batalharam
conosco!
Mike Lu

Presidente ABPPM